terça-feira, 19 de agosto de 2008

Dos males da moralidade

  1. A imponência do manancial tácito nos anais da coletividade, faz-me acreditar na sua cômoda decrementação anverso ao pavoroso quadro que se expõe ao perceber a inundação de conceitos arrolados numa crença absorta, absurda, incoerente e contraditória.

  2. Ao perguntar ao indivíduo moralista a procedência do seu senso ético, este há de se submergir em meio à abstrações por saber-se fraudado pela história, religião ou tradição – ainda que não o queira crer – pois as reminiscências instauradas no provir das eras, que, em suma, não decorrem por serem-se eras, fá-lo declinar ao mais baixo píncaro da desventura intelectual.

  3. De mesmo modo, pergunto-vos, oh luminosos, embrenhando-me no mote problemático do alvitre histórico, de onde vem tal adágio humilhante e narcotizado, visto que o individuo não vai além de seus percalços morais, o que se me parece um retrocesso milenar outrora combatido, ou talvez, utilizando um termo desprovido de qualquer senso de peleja, seja ela idealista ou territorial, um atraso não vivido, índios, tribos que não impregnam em si o peso do pudor, peso esse que tira do que chamam sociedade evoluída o bom emprego da vida, que, ignorada, fá-lo-á sentir-se acoimado, e rememoro sempre de que o dolo é desencadeado pela moralidade e suas alegorias contíguas que põe o homem aquém de si próprio, o que, como muitas crenças articulam, consideram-no, o homem, menor do que o pó da terra, quando não percebem, já que sua intelectualidade está voltada ao metafísico que não há como o humano descer abaixo do pó, já que dele, ou seja, de matéria de estrela, da matéria presente foi feito.

  4. Não defendo porém, a abnegação do prazer exercido por tais sociedades ditas atrasadas, tais como indígenas e outros povos tribais, pois eis que se ajuntam diante de piras ardentes, e num lapso descrevem não mais permanecer neste mundo, tendo relação com espíritos e seres que aqui não mais estão, dizendo receber destes seres tanto seu pensamento como seu conhecimento empírico, o que de fato se me assemelham aos sabujos das terras modernas, enganadores e falsários, inescrupulosos... Até entre os inocentes se me mostram hediondos.

  5. Nisso, caríssimos, pergunto-vos que mal pode haver no desígnio próprio do próprio ser em seguir uma linha que se mostra fora do classicismo, porque ainda que haja mal em tal impulso ou necessidade a si mesmo, não cabe a outrem aquilatar tal mal se o mal não for arrogado ao que não incumbir tal impulso.

  6. A moralidade imposta ao infante em sua temporada de descobertas soa-me um tanto desafiadora de seus próprios desvendamentos utópicos, trazendo sérias desordens no seu envelhecer e irrevogáveis parcimônias psicológicas, isto, claro, sem levar em consideração o sentimento de avaria de uma parte da vida devido a tais repressões, justamente a puerícia e a juventude, quando do mais importante as memórias são para sempre levadas em seu alforje durante sua existência que nos momentos mais dolorosos, reúnem os alvitres da ocasião do desgosto.

  7. Liberdade aos alforriados, e alforria aos cativos!

0 comentários: