A uns foi dado o dom do PERDÃO, a outros, o dom da IRA, da REVOLTA e da VINGANÇA.
- Não há desavença, excelentíssimos, entre as inúmeras classes de salteadores. Quem furta uma pedra, furta sua própria vida.
- Se a morte nos é facultativa, facultativo também se nos deve ser o direito de suprimir a vida daqueles que de nós nos roubam, porque também nos roubam a vida.. Pois eis que dos males que existem, nenhum é maior do que o roubo, e o único mal é o roubo.
- E em verdade não há mal que não seja roubo. E há no suor do homem aquilo que lhe é por direito, ou seja, aquilo que lho pertence. Porque o que pertence ao homem deve ser o fruto do seu trabalho, e nada há de ser mais sagrado do que o fruto do trabalho do homem.
- Melhor seria ao que rouba um homem matar-se a si mesmo, porque lícito é ao roubado o poder sobre a vida do que lho roubou. Pois em verdade a justiça do homem é a pureza da sua honra, e a honra do homem consiste na pureza.
- Ainda que o objeto do suor do furtado não lhe seja reposto, a vida daquele que sem suor granjeia tal pertence deve ser a dívida que adquiriu ao cometer tal delito. E se a vida se não lhe puder ser tirada, justiça seja feita com a sua cegueira. Seus olhos hão de vazar diante de sua vítima, que de vítima passará a verdugo, e justificado estará pela sociedade, porque ao se lhe tirar a vida ou a visão, impedido estará o delinqüente de imputar ao outro novo delito.
- Claro então se nos torna, excelentíssimos, ao ver que a lei é simples consorte e parceira do crime, imputá-la com nossas próprias mãos. Ao fazê-lo, tenhais a certeza, a justiça que é negada pela lei, ou seja, o direito que não cumpre seu dever de nos garantir o ir e o vir, será cumprida pelo povo, e o povo será liberto, e o veneno dado ao que pedir por ele.
- Pois não há mal em impedir um delinqüente de delinqüir, ainda que para isso sua vida seja o preço e seus olhos a moeda. Pois a lâmina afiada será a corte que há de decidir a pena ao criminoso. E estes, dignos são da cicuta que os aguarda, àqueles que como ratos procuram viver, como ratos hão de morrer.
- Não há espaço para ladrões, Seja o ladino do pão, ou o ladino do vício. O roubo, em verdade, é a firma do próprio óbito.
1 comentários:
Poderia ter um subtítulo aqui: "Uma sátira ao e do Velho Testamento".
Ta muito bem escrito, pra variar. E esse negócio de arrancar olhos... eu ia dizer que era muita barbárie, coisa de antepassado... pré-histórico, mas não é: arrancam-se olhos de cabra pra pra rituais religiosos e reality shows... e arramcam-se olhos de gente nas favelas vingativas e presídios possuídos... ou seja... no final não está tão arcaico e fantasioso como eu imaginei.
Se não fosse a linguagem eu lembraria de algum jornal carioca e não do Velho Testamento (tão amado por você).
Não me xinga.
beijos
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