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A nobreza presente no âmago da afabilidade explícita daquilo que me leva a professar declarações de que não há no mundo lugar mais corrosivo, corrompido e corrompedor do que igrejas, sinagogas, mesquitas e todo estabelecimento onde se ajuntam religiosos e religiosidade, ambos caminhando lado a lado com a desgraça humana, fazendo com que curvem sua cabeça ante as agruras da vida, avocando tal maleficência como benção, fraquejando no que chamo mal celeste, ainda que o divino, em verdade, nem migalhas ofereça a isto, não me permito tomar parte neste poço da imundícia.
Se a miséria humana é deprecar para si a miserabilidade moral e social que rege tal ambiente pútrido, a desventura que paira sobre tais indivíduos, faz deles sujeitos a um senhor da vontade alheia e a inércia que predomina sua vida é movida pela crença de que nada se lhes pode ser imputado, dado que um ser exterior metafísico, ou vários seres exteriores metafísicos se lhes mostram responsáveis por suas diretrizes ante sua essência que direciona seus atos.
A desventura que presencia o escopo da plebe intelectiva induz à crença de que o fim não é em veracidade o final derradeiro, mas a conclusão de um ciclo que rememora ao eterno, aqui ou num plano metafísico, acometendo-se no erro de que a Terra foi feita para o homem, mas o homem não foi feito para a Terra.
Existe em cada homem uma fraqueza adquirida desde a era de sua puerícia, em que necessita de uma base, assim como careceu de um alicerce dos progenitores, numa entidade mais-do-que-poderosa, que não está presente no âmbito racional, tratando-se, obviamente de uma crença desencadeada pela necessidade de um braço para recostar sua cabeça e fugir de seu encargo perante a vida recorrendo ao faltante tocável concreto.
Todo o problema, pois, se me mostra como uma falta existencial, um dificuldade na interação interpessoal, a incapacidade de entender que um grupo não-religioso, ainda que seja um grupo, excluindo de seu meio a religião, seria tão ou mais louvável do que a própria religiosidade inculcada nas frestas do entendimento dos analfabetos morais.
Alicerçados naquilo que não podem conhecer, guiam sua vida numa crença falha de sentido prático, onde o “eu creio” supera o “eu sei”. E que assim seja, já que assim o é. Amém.
sábado, 27 de setembro de 2008
Ao problema existencial
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