-
Notório se me parece, afáveis, o preço desta vida. A megalomania dos deuses, os mesmos desde remotos tempos idos quando foram concebidos.
-
Ora, ordenam que se façam oblações, oferendas em sacrifício que vão desde queimar plantas até carbonizar crianças. Desde crer no que não se vê até sodomizar mulheres – Termo este, que, aliás, foi designado num dos muitos livros sagrados onde os deuses costumam ditar suas regras -. Desde abstinência das necessidades carnais até a mais completa devassidão. Desde a preservação do corpo até à mutilações incoesas. Qual o sanatório de deus?
-
Com que espécie de crenças lidamos, oh, grandiosos? Acham comum um deus mandar um pai decepar a cabeça do filho? Acham normal um deus ordenar um sistema de castas baseadas em linhagens? Acham aceitável mandar “seus” soldados subjugarem e estuprarem mulheres? Acham justas as circuncisões, mutilações femininas e infibulações em infantes meninas? Por que não os prendem e caçam suas crenças? Por que a necessidade de sofrer toda a sorte de atraso pelas mãos dos subjugadores supersticiosos que imputam consternação à mente e ao corpo?
-
Toda e qualquer crença é perigosa e perniciosa. Causa avarias irreparáveis aos filhos subjugados e aos filhos dos filhos dos subjugados. Para que sejam exemplos a serem seguidos, os próprios subjugadores da razão imputam sobre seus filhos os mesmos desatinos e castigos físicos e mentais pelos subjugadores dos pais dos seus filhos.
-
Oh, vós que entrais no ciclo da ignorância, sabeis que para sairdes deste ciclo a vida vos será cobrada, pois eis que estão presos até a inconsciência da mente por tais crenças, e sempre se lembrarão do castigo que inculcaram em vós.
-
Tenhais a certeza de que nada vale mais do que vossa sanidade, ainda que em meio aos loucos e insanos, sois sãos, sãos junto aos que desejam a todo custo angariar consortes e cúmplices para sua causa perdida, e digo perdida porque chegará o dia em que vós sabereis quem sois, e quem foram seus pais, e quem foram os pais dos seus pais, e conhecereis a linhagem de seus predecessores até descobrirdes em qual geração se perdeu a rédea de sua vida.
-
Ouvi-me, oh vós que tens na razão o agrado do existir. Dai-me ouvidos e entendei para que tenhais ainda mais entendimento. Não creiais, oh aflitos, em toda sorte de corrupção intelectual, mas antes, atentai ao que digo. Creiais na filosofia racional, aquela que vos livrará do jugo do perecimento emocional.
-
Lavai vosso pensamento na água que vos ofereço, que são minhas palavras e admoestações, porque mais do que em verdade, aquele que não me ouve, é como a árvore que vê o machado a feri-la.
sábado, 11 de outubro de 2008
O Delírio Divino
Assinar:
Postar comentários (Atom)
1 comentários:
Hum, bom... interessante este... post! Apesar dos pesares... rs esse vocabulário bonito que homenageia o próprio objeto de crítica me emociona. "Filosofia racional": isso não me é estranho.
Parabéns, você é inteligente.:) Mas não é por isso que eu te amo :p
Te amo! Bjo.
Postar um comentário