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O papel fundamental da religião no desenvolvimento da sociedade humana se deve ao fato da imposição de costumes embasados no medo. Desconheço hoje, qualquer religião que apregoe a inexistência de um paraíso ou a infantilidade de um inferno. O medo, assim como seu oposto, leva o populacho às maiores loucuras que se pode cometer, e assim, a sociedade vem sendo moldada no decorrer das eras, sempre criando um ser onipotente que guia e interfere no cotidiano humano, tal como o sol em outros tempos, pedras noutros, e até mesmo o próprio homem já tornou-se deus.
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Sabe-se, por meio de filósofos e demais estudiosos da área, que para controlar o homem, bastam apenas duas coisas, dor e prazer, panis et circencis, como diria o imperador romano, dê-lhes pão e circo e estarão satisfeitos, sedados, anestesiados. E ainda nos nossos dias podemos confirmar tal máxima há tanto ministrada aos menos sábios do império.
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Desde a infância o homem é criado pelo medo. Boas ações praticadas em nome de uma moralidade infame e desprovida de sentido prático, ou seja, uma moralidade presente apenas por imposição religiosa, é agraciada com prestígio ao bom comportamento, enquanto qualquer ato que desvie da conduta moral estabelecida é punida com castigo, e assim, o homem vai se habituando a este esquema falso e corrompedor imputado por pessoas que nem mesmo sabem o que fazem.
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Quem mais, além do próprio homem, pode desfazer o mal outrora feito e instintivamente estabelecido nos meios inter-relacionais? Necessário nos é, sapientíssimos, vencermos tal barreira que nos impede de alinharmos com a razão o pensamento constituído em meio à loucura. Desvencilharmo-nos deste sanatório coletivo onde a maioria está doente e a minoria está livre. Nem sempre, e acreditem, nem sempre a maioria é sã. Um auto-exame mental e intelectual pode esclarecer tais dúvidas, simplesmente se abdicarem de algo para pôr em xeque este mesmo algo. O Admirável Mundo Novo de Huxley cabe como exemplo incontestável, apesar de ser uma obra dita ‘fictícia’.
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Encaixemo-nos, pois, no modelo tradicional, mas no modelo tradicional ao contrário, começando com uma revolução intelectual escoltada em si próprio, fazendo alarde na própria mente e na cultura - Sim, a revolução intelectual virá da cultura, dos cultos -, questionando os valores tão vazios e inúteis que permeiam a civilização na qual vivemos. Todo valor deve ser questionado e toda divindade deve ser posta à prova. Caso não exista sentido para que tal valor ou divindade exista, começará a revolução, a revolução dos amorais.
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Na ânsia de conquistar o mundo, a religião e os religiosos esqueceram-se de conquistar a si mesmos, e, ainda em três ou quatro gerações, ver-se-ão perdidos em meio à própria loucura da qual mantiveram encarcerados os tantos homens e mulheres que passaram por sobre esta terra na qual pisamos. E eis que o cerceamento intelectual tem seus dias contados a partir deste instante, começando pela religião.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
A religião na formação da sociedade
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