segunda-feira, 18 de julho de 2011

Da moléstia formosa



1.       Existe, dentre vós, qualquer que consinta abominar a perfeição? Pois se existir, pronuncio: Chacinai! Porque a assolação dos avejões que não miram a perfeição trar-vos-á conforto diuturno.
2.       Porquanto a perfeição é formosura, e aquele que não a louvaminha é alma enfermiça.
3.       E padece de moléstia o que não louva a beleza. E corrompe os hígidos que têm por ela fausto egrégio.
4.       Não vos enganeis, oh, insignes! É adequado que compreendais, antes, que a beleza é o elemento estético da perfeição, mas a argúcia é o que a nutre. Contudo, a formosura sem argúcia é como a substância defecada. Convirá tão-somente como agriculto do outro.
5.       Ouvi, pois, estas palavras, porque o que ouve é sábio e logo arenga com astúcia. Mas o que fala sem conhecimento, este é néscio.
6.       A planta não adolesce sem água e sem sol. Assim sois vós, não crescereis sem a água da sabedoria e o sol da formosura.
7.       E qualquer que, sendo belo não for sábio, será como a planta que serve de adorno e é lançada ao lixo com pouco passar de tempo.

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